sábado, 7 de novembro de 2009

Descaso


Ninguém mais fala no assunto, mas a gripe suína continua. Parece que entrou na veia do cotidiano, como mais uma doença qualquer. Se bem que não se trata de uma gripe qualquer, se levarmos em conta a avalanche de notícias sobre o assunto entre junho e julho desse ano. Se era desimportante assim, por que o alarde?
            Nesta manhã, meu filho, com febre alta há dois dias, espirrando, tossindo, calafrios no corpo, enfim, os sintomas de uma gripe forte, foi ao Pronto Socorro do Samaritano. Como é asmático, a médica receitou o famoso Tamiflu. No entanto, achamos que por vias das dúvidas seria prudente que ele fizesse o exame para se ter certeza da doença, já que o vírus só é detectado com o exame. Daí começou o jogo de empurra-empurra do hospital: não, não fazemos o exame. O Instituto Fleury, para onde nos mandaram, também não quis fazer o exame – só fazem em estado grave, ou seja, quando a pessoa está mais para lá do que para cá. Enquanto isso, por curiosidade, procurei na internet e vi que tanto o Hospital Samaritano quanto o Fleury, em seus sites, dizem que fazem o exame, principalmente no caso de crianças e idosos.
            Eles dizem que fazem, mas não fazem. Claro que passar quase meio dia num hospital, para uma criança de 8 anos, já fragilizada pela doença, é no mínimo um desrespeito do hospital e dos médicos. Para não dizer outra coisa. Segundo o hospital, como última cartada para não realizar o exame, o governo não permite que se faça o exame em casos como o dele, em que a dúvida parece ser maior do que a certeza.
            Então, me pergunto: para que serve o exame? Não seria exatamente para tirar a dúvida e poder medicar de forma correta o paciente? Será que é isso o Brasil: dane-se a saúde da população e viva a corrupção desenfreada e o discurso rastaquera de senadores e deputados que não fazem nada e ainda metem a mão no nosso bolso.
Como o seguro não cobre esse tipo de exame – outro disparate da área da saúde nacional –, estávamos dispostos a pagar o exame, faríamos de qualquer forma. No entanto, vendo que meu filho já estava cansado, precisando do repouso da casa, e também de se alimentar, optamos por dar o Tamiflu e esquecer do exame. Mas até agora a revolta está presa na garganta. Sei que ele vai ficar bom logo, que é uma gripe que com o medicamento passa. Mas se nós, que somos da classe média, ou seja, privilegiados, e que podemos pagar um exame, podemos comprar os medicamentos, somos tratados assim, fico imaginando como deve ser o tratamento dado à população carente dessa joça chamada Brasil.
Mas a pergunta continua batendo na cabeça: por que não fazem o exame? Para que serve o serviço de saúde, tanto privado quanto público?
Esse texto é apenas um relato, mas também um alerta: a gripe continua, e a prevenção, que tinha sido um ponto positivo no começo do surto, até mesmo matéria de propaganda do governo atual, caiu no esquecimento, como se a gripe suína não existisse mais, como se não andasse solta, leve e fagueira pelos ares da cidade, das escolas, das conduções, das salas fechadas de cinema, das repartições com pouca ventilação etc. Na televisão, não se fala mais no assunto; no jornal, reina o silêncio (só se interessam por números astronômicos de mortos); e, ao que parece, também nos hospitais não se fala mais nisso, dá-se o Tamiflu e dane-se...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Monodrama de Carlito Azevedo

Boa notícia para a poesia: www.7letras.com.br




No site, já aparecem a capa e a chamada para o novo livro de poemas do Carlito Azevedo. O livro se chama "Monodrama". O último livro do poeta a ser publicado foi "Sublunar", aquela maravilha que os leitores de sua poesia conhecem. Agora, com esse "Monodrama", a poesia de Carlito passa por um novo filtro: a experiência, sempre presente em sua poesia, entra com maior intensidade, marcada por uma espécie de narrativa de um andarilho, de alguém que sempre acompanhado observa não somente a cidade, mas o estado das coisas no mundo. Sua expressão foge à mera anotação objetiva para se encontrar com a forma do monólogo, mas um monólogo que quase sempre pressupõe um outro, escorregando assim para o diálogo. Depois de 13 anos sem publicar, "Monodrama" chega para causar espanto, com seus poemas de fôlego largo. O poeta não abandona seu gosto por imagens inusitadas, pela beleza convulsiva que pode surgir de uma cena, de uma conversa, ou de uma dolorosa experiência pessoal (como na linda série "H"). Alguns poemas haviam sido publicados aqui e ali, principalmente na Inimigo Rumor ou na Modo de Usar. Quando penso em poesia --- poesia que instiga, que me tira desse lugar acomodado que muitas vezes me encontro ---, penso na poesia desse carioca, que já vai beirando os 50 anos. À objetividade e à forte plasticidade que havia em sua poesia, agrega-se agora uma voz que se coloca em campo, que se assume em sua intensidade, de forma ou emocionada, ou sutilmente crítica. Esta virada, que começou a se esboçar no lindo "Versos de circunstância", parece ter alcançado seu ponto alto em "Monodrama", a começar pelo poema que dá título ao livro. Como meu exemplar ainda não chegou, não posto nenhum poema. É uma alegria ter Carlito e sua poesia por perto da gente.


Abraços, Heitor

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Chico Alvim em São João

video

Chico Alvim lendo alguns poemas
no Teatro Municipal de São João del Rey
em agosto de 2009
na abertura da Terceira FELIT

(ps. tremi um pouco na hora de filmar
e não era o melhor ângulo
mas dá para ouvir o poeta lendo)