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| Casa da bruxa |
Um dia tinha que acabar. Sabia que iria acabar. Agora é agora, e acabou. Tento vasculhar um arquivo de imagens pessoais. Tento buscar algumas falas que ouço na rua. Aqueles três pedreiros, por exemplo. Um deles simulava um radinho de pilha com um pacote de plástico. Falava de um conhecido que tem o costume de ir à porta do bar, radinho no ouvido. Fica vendo o jogo pela televisão do bar. Se a imagem fica ruim, ele sai, vai para outro bar, com seu radinho no ouvido. A simulação com o pacote plástico era tão boa que quando tento me lembrar vejo o radinho, vejo o tal cara parado na calçada, olhando de longe, o aparelho de tevê lá no fundo do bar. Um bar descascado, um bar com uma velha mesa de bilhar no centro e duas ou três mesas brancas de plástico. Sim, há também o balcão, a vitrine engordurada do balcão. E o tal cara, parado na porta, com seu radinho no ouvido. O que acabou foi essa possibilidade, de ver, de transformar um pacote de plástico num radinho de pilha vermelho. Foi essa possibilidade que se esgotou. Agora é agora. Essa calçada, outra calçada, e um sentimento deslocado, rendido por um radinho de pilha, ou três pedreiros na hora do almoço, na esquina da Conselheiro Ramalho, no Bixiga.

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