quarta-feira, 8 de junho de 2011

Infância


Bar, no Bixiga
  
O que havia era uma casa que dava para a rua. O portão branco, o pequeno vestíbulo. Logo acima da caixa do registro de água e gás, uma estatueta da bruxa do desenho da Branca de Neve. São pequenas coisas. Logo mais acima, numa outra estrutura de cimento, também pintada numa cor entre o rosa e o marrom, dois cães de guarda, duas estatuetas de dois pastores alemães. Não, não sei quem mora nesta casa. A caixa de correios engatada no portão branco, com aquelas volutas de ferro, simpáticas volutas dos bairros humildes. Ainda me recordo que, bem mais adiante, entre tantos bares suspeitos, no fundo de um deles, havia um video poker, e num outro, havia um avião inflável, desses que se vendem no parque, pendurado no teto, como enfeite. São esses enfeites que dizem sobre o poema que não consegui fazer, que já não consigo mesmo fazer. Estes restos de infância, entre garrafas, contas, o salgado pingando gordura e o papa-níquel miserável.

1 comentários:

Fernanda Vicente disse...

Olá, Heitor, tudo bem?
Estou fazendo minha monografia do curso de Letras sobre sua poesia e gostaria muito de poder conversar com você sobre! Se você puder entrar em contato comigo, ficaria muito contente! Meu e-mail é fernandavicente07@gmail.com

Até mais!