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| São Paulo |
Então nada mais resta.
Tudo envelheceu
de repente,
ou já vinha envelhecendo
de antes,
muitos antes.
Não foi agora
quando você se levantou,
saiu da cama,
abriu a janela
e percebeu
que alguma coisa
estava mudada,
ou que tudo
estava mudado,
que a cama
em que se deitara
não era mais
a mesma cama
em que
na noite anterior,
cansado, mundo
caduco, inferno
dos infernos, havia
se deitado.
Ainda olhou
para a cabeceira
da cama,
para aquele criado-mudo
cheio de livros.
Como envelheceram
os livros
os poetas de cabeceira
Como os versos
não se sustentam mais,
falam de um mundo,
de um outro
mundo
que a manhã
aniquilou
e a manhã não poderia ser
a felicidade futura
adiada
a cada almoço
enquanto mastigava
sua couve
ou o arroz insosso.
As palmeiras,
indecifráveis palmeiras,
e você ficou mudo,
manso,
como queriam
que você ficasse,
manso, muito manso,
sorridente
sem dentes
em sua velhice.
E como são dóceis
os velhinhos
e tudo que envelheceu
com os velhinhos.
Então nada mais resta
e não ser continuar
nesta linha reta
entre o café da manhã,
as imagens vulcânicas
do café
no coador,
o almoço,
o trabalho, os dentes
os dentes
e a couve
para sempre murcha
entre os dentes.

1 comentários:
de volta ao começo, de volta...
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