| Troia |
De manhã
antes que os coelhos
cheguem
antes que os dentes
miúdos passem
a corroer tudo
tento me lembrar
restos de um poema
que me golpeou
– o inimigo
está nas palavras
na maneira
como você diz
as coisas
o inimigo espreita
qualquer
brecha
para se afirmar
em suas palavras
o mundo é
cínico
é cão?
uma máquina de triturar
ossos de vozes?
Ou apenas
a língua?
que solta
se volta
esconde-se
num céu
rosado
entre grades
dentárias
medrosa
como
o resto de um poema
– que palavras
romperam a barreira
de seus dentes?
que palavras
meus dentes
corromperam?
Antes que os coelhos
cheguem
antes que os dentes
miúdos
passem.
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