quarta-feira, 20 de abril de 2011
Resultado da pescaria
Peguei este poema de um blog, enquanto matava um pouco de hora, depois do almoço. Compartilho com os amigos. É um de tantos poemas que gostaria de ter escrito.
LISBOA
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!
"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
Isto é real, ou fui eu que sonhei?
Tomas Tranströmer
(vejo que foi ele publicado inicialmente na revista Zunai,
e a tradução é de Luís Costa)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário